Sabe lá, desde pequeno que via minha prima com seus diários para lá e para cá. Nunca me interessei por isso, acho que o futebol na rua, as bolinhas de gude, pipas e o Mario bros. eram mais interessantes na época pra mim.
Mas, de vez em vez, vem aquela vontade de escrever. Chega a ser estranha a idéia de um blog, ainda mais agora que a infância já vai longe e mal vejo meninas com seus diários ou jogo futebol.
Sempre achei que escrever é algo que acontece e apesar de ser um leitor assíduo, admito que o "dom" da escrita raramente sorriu pra mim.
Acontece ? É, acontece. Então estou aqui estreando algo que sequer sei se vai para frente, talvez encerre aqui mesmo, ou só apareça quando aparecer a vontade. Acredite, escrever nunca foi meu forte, sou mais uma daquelas pessoas que, às vezes, se vêem obrigadas a explicar a mesma coisa três vezes para passar uma idéia, sem contar quando sou mal compreendido, mas quem não passa por isso.
Decidi, antes mesmo de começar, que escreveria aqui, principalmente, para espalhar uma meia dúzia de poesias dos outros. Ah os "outros" é claro que tinham o dom da escrita. Se é que é um dom, sabe como é né, tem coisa que acontece. Vamos lá:
Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade.
sábado, 26 de dezembro de 2009
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