"Era uma vez um menino que vivia feliz e contente numa eterna e doce solidão. Nunca lhe incomodou o fato de estar a maior parte do tempo sozinho, é bem verdade que ele chegava a adorar esses momentos: contemplação, uma flor, um patinho -Nossa olha que árvore mais verdinha!- dizia.
Infelizmente ou por ordem natural da vida, alguns animais muito maiores do que ele, conhecidos como adultos, passaram a lhe dizer: - Nenhum homem é uma ilha, ninguém é feliz sozinho, deixa de ser sozinho menino! Não sabe que dependemos e só encontramos nosso caminho nessa vida com a ajuda dos outros.
Se soubesse o menino que tais criaturas grandonas sequer desconfiavam do significado do que estavam dizendo e também que eram eles, na verdade , os seres mais solitários do mundo, certeza que ele tamparia os ouvidos e não deixaria que as palavras adentrassem em seu subconsciente.
É engraçado, o menino foi perceber muitos anos depois que essas palavras de adulto tinham virado um valor bem forte em sua vida, como quando chupa-se uma manga ainda verde e o gosto amarrado fica uma eternidade na boca, assim também há idéias que amarram na cabeça da gente sem que nos dessemos por conta e ficam lá anos a fio. Plantadas...como sementes enterradas em uma floresta, esperando uma fresta de luz para germinar. Mas continuando:
O menino cresceu, as folhas de sua árvore ficaram mais verdes, fato é que muitas caíram como caem as ilusões na infãncia, nada que traumatize ou adoeça ninguém, coisa passageira de inverno. E la se vai nosso herói mirim atrás de outras árvores além da sua própria para decorar e preencher sua ilha.
Tenta começar pelos pais: - Mamãe é ótima dá tudo que quero, mas que não preciso e dá quase nada do que preciso. Logo pensa: Que sei eu de amor de mãe! Sabe apenas que corre atrás da mãe e a mãe corre atrás de dinheiro, então, ele vê que ali não está o que procura, passa anos a fio regando as raízes, vê alguns lampejos de flor e se dá por satisfeito.
- Papai, papai ! Como eu te amo, você diz coisas muito bonitas, aprendo muito com você. Uma pena esse seu barquinho não passar mais tempo na minha ilha, fico triste de não ter a sua árvore aqui plantada comigo. Parece que as folhas dela desbotam quando você está indo embora, sei lá, a maior parte do tempo eu nem as vejo. Queria muito lhe pedir pra ficar mais perto, lhe dizer o quanto preciso de sua árvore aqui na ilha. Mas já aprendeu que muito do que uma criança diz não tem valor no mundo das pessoas grandes.
Pois bem, é chegada a época de ir para escola. No começo chora, se assusta. Afinal, não é todo dia que pegam uma ilha sozinha e decidem formar um arquipélago, negócio mais esquisito esse de juntar um monte de ilhazinha num espaço apertado tudo de uma vez, isso sem falar naquela tia estranha de avental rosa que nos fala da importância de aprender uns trecos que eu nunca vi. Insatisfeito, reclama: -Pow, ninguém me perguntou se eu queria trocar o tempo de brincar com meus amigos imaginários por essas letrinhas e números.
Pouco a pouco, como é normal em todos os pequenos, a curiosidade supera o medo e o susto dá lugar ao inesperado. O arquipélago passa a ser mais importante que sua ilha. O menino se lembra dos mais velhos que o disseram que ninguém é feliz sozinho e acredita, acredita mesmo.
Torna-se o pequeno explorador de ilhas, troca as sementes de sua árvore com as sementes das árvores vizinhas. Nem todas germinam, é fato, algumas crescem que é uma beleza, basta um sorriso e uma troca de olhar que as folhas, antes desconhecidas, parecem se entender ainda que distintas. Já outras nem tanto, parece que suas raízes querem lhe tomar a agua ou as folhas lhe tomar o sol, ainda que na marra. Nada fora do normal para uma sala de aula: Está bem documentado pela botânica e pela psicologia comportamental que em se tratando de folhas e personalidades a variedade de tamanhos e formas é inumera.
Lá pelos doze anos de idade, decide, nosso pequeno astronauta e se digo astronauta é porque nessa época passou a se interessar não só pelas ilhas que visitava, mas também pelas estrelas que lhe mostravam o caminho. Ah que vontade ele sentia de conhecer as estrelas, apontava pra elas sem o menor respeito pelas verrugas que podiam lhe aparecer nos dedos, ainda não sabia que a maioria daquelas luzes estavam mortas, ou sabia, mas se recusava a acreditar.
Desculpem o devaneio espacial, mas ás vezes tem que se escrever qualquer coisa que lhe vem à cabeça só por mero prazer, mal nao há.
Dizia eu que aos doze anos decidiu-se por ter um melhor amigo e que melhor amigo que arranjou, jogavam futebol, basquete, comiam sucrilhos, brincavam de lutinha, falavam de meninas, aquilo sim é que era um melhor amigo, parecia que carregava consigo a luz de uma estrela.
Lá pelos quinze, aconteceu um treco esquisito, parece que uma luz muito forte que ele possuía e sequer sabia começou a brilhar, que pode fazer a luz senão se por a brilhar na hora em que é despertada. Sabe o menino hoje que aquela luz incomodava, parecia tomar o espaço dos outros, lhe dava um poder quase sobrenatural, poder e corrupção. Parou de respeitar sua floresta, deixou de molhar as raízes, coisa de gente egolatra. Enfim, a árvore mais bonita de sua ilha, seu melhor amigo, morreu. Junto dele morreram muitas outras e eis que se viu de novo como uma ilha e uma árvore, mas era meados de julho e as folhas já nao pareciam verdes. Procurava a comtemplação pueril, mas achava o abandono, a estória nao termina por aí, nem mesmo está completa, mas eu já enchi o saco de escrever então depois continuo.
Anonimo.
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